quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
desirée
dona tereza beatriz, faxineira, sessenta e oito anos, procura por sua nora desirée, grávida de quatro meses, na cracolândia. por onde estar, por onde fazer, por onde andar para abraçar tereza beatriz e desirée? como estar longe e perto delas, elas, falar delas, como estar aqui e elas no outro delas, nós, os longe delas, nós sem elas, nós com elas? quem sermos nós? dona tereza beatriz e desirée, nos perdoem, não nos perdoem, não façam nada. como estamos sós.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
problema
o problema é que muita gente continua junto para discutir melhor os motivos que os levam a não querer mais ficar junto.
sábado, 7 de janeiro de 2012
saco
não sei se os animais pensam - parece que alguns pensam, sim. mas ninguém, como os humanos, pensa que pensa. esse é nosso veneno e nossa delícia. quando, quanto e como a consciência da consciência é veneno ou delicia depende justamente de como se pensa que se pensa, se sabe que se sabe, se sente que se sente. mas que é um saco, é.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
donos
os donos de uma beleza singular, um carisma único, uma inteligência exemplar e afins estão sublocando ou vendendo suas propriedades, por preços que variam de módicos a exorbitantes, dependendo da procura.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
definição
a melhor maneira de definir alguma coisa é dizê-la indiretamente. se possível, sem nem mencioná-la. ou, como faz william saroyan, assim: "ele pegou o ovo da galinha e o deu à mãe. com isso, ele quis dizer aquilo que os homens esqueceram e as crianças ainda não podem saber."
domingo, 1 de janeiro de 2012
isolamento
aprendi que a poesia é isolamento da palavra. retire uma palavra do meio de uma multidão. por exemplo: multidão. isole-a. veja como ela se transforma no que ela é. uma multidão sozinha ou um falso aumentativo. agora aproxime-a de outra palavra isolada. por exemplo: outra. assim: multidão outra. já é quase um poema.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
dois mil e doze
aquele beija-flor que você acaba de ver, que já partiu, é todos os beija-flores. sabe aquele beija-flor que sobreviveu ao inverno e não voou junto com os outros e mesmo assim conseguiu resistir? então, esse que você vê agora é aquele. essa criatura rápida e magnífica é aquele mesmo, é aquele.
(baseado no conto o beija-flor que viveu durante o inverno, de william saroyan)
(baseado no conto o beija-flor que viveu durante o inverno, de william saroyan)
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