segunda-feira, 14 de maio de 2012

liquidificador

fui socialista na adolescência, mantive atividades sempre coerentes com uma ideologia do máximo de justiça social possível, nunca fui entusiasta do consumismo e não sou adepta de quase nenhum luxo ou da cultura dos supérfluos. dito isso, preciso confessar, sem medo, culpa ou falsos pruridos: eu amo meu novo liquidificador.

sábado, 12 de maio de 2012

meta-post 2

o último post que escrevi, intitulado nada, foi, de todos aqueles deste blog, o menos visitado de todos os de sua história. apenas cinco visitações. me pergunto por que. inventei dois personagens lindos: o absurdo e o tartamudo. o tartamudo fala baixo e o absurdo não ouve. será que tartamudeei demais? serão que todos estão absurdos a esse meu nada?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

nada

engasgando e se esforçando por pronunciar minimamente algumas palavras que fossem, tartamudo tentou fazer-se escutar. mas absurdo não ouviu nada.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

pulso

não se deve aceitar um falso cognato impunemente, como se fosse uma mera coincidência. sempre me intrigou por que push, em inglês, é empurrar e em português é trazer para junto de si, ou seja, o contrário, embora a palavra seja a mesma. ambas vem de pulsare, do latim, que é só movimento. acontece que os anglo-saxões entenderam movimento como mandar para a frente e os latinos como trazer para perto. como se vê, não há falso cognato, mas sim duas interpretações diferentes do mundo.

sábado, 5 de maio de 2012

si

mais do que a vida, dinâmica, a morte é que é a coisa em si, fixa. ir atrás da essência das coisas seria como ir atrás da morte que elas contêm. melhor não ir atrás, mas permanecer na superfície instável das coisas mutantes. porque mesmo a índole, a alma,o espírito, se existirem, também se transformam quando em contato com o ar.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

pijama

dentre as sensações físicas, a lágrima é o terno e a risada é o pijama.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

carioca

o rio de janeiro concorda com a vida: as pedras, os morros, o mar, o calçamento, o ritmo da marcha do carioca acompanham o andamento do corpo e da natureza. parece que lá as pessoas não andam, mas transladam-se. só a palavra carioca já se distende no tempo, tão diferente de paulista, que é nominalmente associado a são paulo. carioca. queria ser carioca por um dia, rodar em torno do sol e depois voltar para o rio tietê, onde os deslocamentos são maquínicos, artificiais.