quarta-feira, 10 de julho de 2013
foi
adoradorzíssimo, surdo-mudo-lelé-da-cuca, pingolaureiro, pingolaurepindo, pingolaurepindíssimo, pimpalaldeiro, tatulo, adoradeiro, tatulo da paixão cearense, tuto de tintinho tintolo, que cachorro mais remediado, meu amorzinho, pinguinho, pingo. não vai lá fora agora, você vai se molhar, isso é lugar de fazer xixi, não vai lá fora agora, pingo, não vai lá fora.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
alegria
embrulhando as frutas da mercearia em sacos plásticos bem vagabundos, o moço disse: esses sacos são só alegria. é só colocar a fruta e ele arrebenta. ô alegria. o moço da mercearia sabe que a alegria é vã e que é aí que está sua graça. a alegria é vazia, não precisa de nada para existir. é feita de não ser feita, não tem substância. a alegria é ar.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
garganta
o farmacêutico aqui de paraty disse que, se é para eu curar a dor de garganta, para não chupar a pastilha e a bala de gengibre. simplesmente grudá-las no céu da boca e deixá-las agir. um farmacêutico zen que ensina a cura, possivelmente, para muitos outros males, menos ou mais subjetivos do que a dor de garganta.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
branco
atenção, você aí, preocupado em ser feliz. uma receita infalível para a felicidade: pegue (mas precisa ser agora, enquanto lê) uma folha em branco. em seguida, escreva dezessete palavras, as primeiras que lhe vierem à cabeça. recorte todas elas, separadamente. coloque cada uma em um canto diferente da casa. esqueça. nunca mais se lembre de pegá-las ou de olhar para elas. pronto. ficou feliz? não? então deu errado.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
queixo
o dia: essa luz. o ar: esse céu. a temperatura: frio, não muito. o sono: contínuo. o olhar: queixo paralelo ao chão. os ombros: para baixo. a barriga: ok. o pão: centeio. o café: quente. o trabalho: feito. a roupa do filho: jogada na cama. a cama: recém desfeita. o controle remoto da tv: jogado no chão. seis livros: empilhados. um livro novo: zuca sardan. mãos: dois machucados. hoje: bom.
terça-feira, 25 de junho de 2013
carretel
um pequeno objeto: uma bolinha de gude, um botão de camisa, uma faixa amarela para indicar: não quero briga. será que dava? um alfinete? um carretel?
sábado, 22 de junho de 2013
realidade
não é o prazer que está em jogo nas ruas, por mais prazeroso que seja participar de manifestações. é o princípio de realidade, que consiste, segundo freud, justamente na capacidade de suportar o adiamento do prazer. é preciso forjar e ativar em nós mesmos todos os mecanismos de maturidade para continuarmos a buscar objetivos claros e não inconsequentes. manifestar-se para poder manifestar-se é legítimo e é um objetivo, por exemplo. mas não para exibir superioridade intelectual, capacidade de cuspir ironias finas, fazer passeatas melhores do que outros, competir para ver quem é mais de esquerda ou mais coerente. crianças eternas: está na hora de crescer.
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