sábado, 13 de julho de 2013

coxa

clarice lispector está presente a uma reunião de estruturalistas que, em alguma sala de aula na década de setenta, analisam sua obra. lá pelas tantas, ela, indignada, se levanta e diz: não estou entendendo nada! vou para minha casa comer uma coxa de galinha bem gorrda!
(contado por vilma areas)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

foi

adoradorzíssimo, surdo-mudo-lelé-da-cuca, pingolaureiro, pingolaurepindo, pingolaurepindíssimo, pimpalaldeiro, tatulo, adoradeiro, tatulo da paixão cearense, tuto de tintinho tintolo, que cachorro mais remediado, meu amorzinho, pinguinho, pingo. não vai lá fora agora, você vai se molhar, isso é lugar de fazer xixi, não vai lá fora agora, pingo, não vai lá fora.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

alegria

embrulhando as frutas da mercearia em sacos plásticos bem vagabundos, o moço disse: esses sacos são só alegria. é só colocar a fruta e ele arrebenta. ô alegria. o moço da mercearia sabe que a alegria é vã e que é aí que está sua graça. a alegria é vazia, não precisa de nada para existir. é feita de não ser feita, não tem substância. a alegria é ar.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

garganta

o farmacêutico aqui de paraty disse que, se é para eu curar a dor de garganta, para não chupar a pastilha e a bala de gengibre. simplesmente grudá-las no céu da boca e deixá-las agir. um farmacêutico zen que ensina a cura, possivelmente, para muitos outros males, menos ou mais subjetivos do que a dor de garganta.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

branco

atenção, você aí, preocupado em ser feliz. uma receita infalível para a felicidade: pegue (mas precisa ser agora, enquanto lê) uma folha em branco. em seguida, escreva dezessete palavras, as primeiras que lhe vierem à cabeça. recorte todas elas, separadamente. coloque cada uma em um canto diferente da casa. esqueça. nunca mais se lembre de pegá-las ou de olhar para elas. pronto. ficou feliz? não? então deu errado.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

queixo

o dia: essa luz. o ar: esse céu. a temperatura: frio, não muito. o sono: contínuo. o olhar: queixo paralelo ao chão. os ombros: para baixo. a barriga: ok. o pão: centeio. o café: quente. o trabalho: feito. a roupa do filho: jogada na cama. a cama: recém desfeita. o controle remoto da tv: jogado no chão. seis livros: empilhados. um livro novo: zuca sardan. mãos: dois machucados. hoje: bom.

terça-feira, 25 de junho de 2013

carretel

um pequeno objeto: uma bolinha de gude, um botão de camisa, uma faixa amarela para indicar: não quero briga. será que dava? um alfinete? um carretel?