o lodo do poço é o medo
o demo é o copo do dolo
terça-feira, 10 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
polícia
polícia vem de polis, cidade. militar, de milícia, ligado à guerra. polícia militar é como guerra da, guerra na cidade. é um paradoxo, mas nunca foi tão real. a polícia, que deveria preservar a pólis, ser da pólis, é contra ela. declarou guerra. os cidadãos, citadinos, se tornaram reféns. quem, quando, como, onde salvará a polícia de si?
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
galinha
não tenho certeza absoluta do que vou dizer, mas vá lá. gosto de algumas coisas do "politicamente correto". por exemplo, acho importante que aqueles que eram chamados de "excepcionais" passem a ser chamados de "portadores de deficiência". também acho importante que as empresas sejam obrigadas a oferecer empregos a eles. mas tem alguma coisa nisso tudo - por exemplo, a rejeição ao fato de alex atala ter matado uma galinha ao vivo, na dinamarca - que, a mim, nascida nos anos sessenta, soa como um corte laminar do trágico na vida. o trágico não comporta o asséptico e eu não concebo a vida sem ele.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
andré
dez palavras lindas: asa, mar, linhaça, plinto, pulo, sono, tiara, válvula, levedo e crise. uma combinação linda de palavras: meu grito lixa o céu seco. um poema lindo: consoada, do manuel bandeira. um tempo curto: dois dias. um tempo longo: alguns anos. pronto. nada cura a morte do andré.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
breve resumo onomatopaico do tempo
um: shhhhh, trrrrr, fffffff, tuc, babum, uuuu, zzzzzz, grrrrr, crac
dois: blen, toc, telec, piiii, tlic, vrom, bibi, dlin, bang, clic, trim
três: rsrsrs, uahuahuahua, kkkkkkk
legenda
um: pré-história
dois: história
três: pós-história
dois: blen, toc, telec, piiii, tlic, vrom, bibi, dlin, bang, clic, trim
três: rsrsrs, uahuahuahua, kkkkkkk
legenda
um: pré-história
dois: história
três: pós-história
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
xícara
no leito de morte, o rabino, questionado sobre o sentido da vida, respondeu: a vida é uma xícara de chá. um discípulo sussurrou para o outro e para o outro, até que toda a cidade repetia, assentindo: a vida é uma xícara de chá; o rebe disse que a vida é uma xícara de chá. até que um cidadão, mais corajoso, perguntou: mas por que a vida é uma xícara de chá? devagar, todos passaram a se perguntar: por que a vida é uma xícara de chá? até que a pergunta finalmente chegou ao discípulo mais próximo do rabino que, temeroso, perguntou a ele, já em seus estertores: mas rebe, por que a vida é uma xícara de chá? o rabino, nas últimas forças, fechou os olhos, lentamente deu uma sacudida de ombros e respondeu: então a vida não é uma xícara de chá.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
lado
chutei um cachorro morto
foi fácil.
ele tombou mais para o lado
e permaneceu imóvel,
como fica um morto
quando o chutam.
assim que o joguei
- o coveiro às pressas -
na cova que criei
- o vigia da rua acima -
ele despencou,
não reagiu,
foi fácil.
agora ossos
a grama cobriu
- o moço tinha dito mesmo -
foi fácil.
ele tombou mais para o lado
e permaneceu imóvel,
como fica um morto
quando o chutam.
assim que o joguei
- o coveiro às pressas -
na cova que criei
- o vigia da rua acima -
ele despencou,
não reagiu,
foi fácil.
agora ossos
a grama cobriu
- o moço tinha dito mesmo -
Assinar:
Postagens (Atom)
