quarta-feira, 6 de maio de 2015
gravidez
das três, grávida, pregnant e enceinte, está claro que pregnant é a mais grávida das palavras. isso porque grávida vem de gravidade, peso e, gentil, mas implicitamente acusatória, chama a mulher de, simplesmente, gorda. já enceinte vem de rodear e, nem tão sutilmente, aponta a grávida como mulher circular. mas pregnant é impregnada, pregnante. ou seja, a melhor palavra grávida para grávida é mesmo prenha e não grávida. e não me venham com o eufemismo "estado interessante".
sexta-feira, 1 de maio de 2015
balde
experiência três: a mesma piada do balde, agora só com adjetivos ( e também com vírgulas e a licença do jovem, aqui usado como adjetivo e substantivo).
velha, jovem, plácido amplo marejante, arenoso. líquidas ondulantes devorantes jovem. velha teimosa: onipotente! misericordioso! jovem querido, amado! ondulantes obedientes, jovem emergente arenoso. velha agradecida, razoável: onisciente! útil lúdico côncavo, esquecido?
velha, jovem, plácido amplo marejante, arenoso. líquidas ondulantes devorantes jovem. velha teimosa: onipotente! misericordioso! jovem querido, amado! ondulantes obedientes, jovem emergente arenoso. velha agradecida, razoável: onisciente! útil lúdico côncavo, esquecido?
sexta-feira, 24 de abril de 2015
tentativa
experimento dois: a mesma piada da avó, neto e balde, agora sem pronomes, verbos ou adjetivos.
a avó na praia, com o neto. neto em meio às ondas. vó: deus, por favor, o netinho de volta! menino outra vez, a salvo. avó, sem mais, para deus: senhor, e o baldinho?
a avó na praia, com o neto. neto em meio às ondas. vó: deus, por favor, o netinho de volta! menino outra vez, a salvo. avó, sem mais, para deus: senhor, e o baldinho?
terça-feira, 21 de abril de 2015
experimento
experimento 1: um dia sem pronomes.
para começar, uma piada sem pronomes pessoais: nem retos, nem oblíquos, nem possessivos.
a vó foi à praia levando o netinho, que foi engolido por uma onda. a velha implorou a deus: senhor, traga o netinho de volta, por favor. a onda veio e o menino ressurgiu, intacto. a avó, razoavelmente satisfeita, reclamou: tudo bem, deus, mas e o baldinho?
para começar, uma piada sem pronomes pessoais: nem retos, nem oblíquos, nem possessivos.
a vó foi à praia levando o netinho, que foi engolido por uma onda. a velha implorou a deus: senhor, traga o netinho de volta, por favor. a onda veio e o menino ressurgiu, intacto. a avó, razoavelmente satisfeita, reclamou: tudo bem, deus, mas e o baldinho?
terça-feira, 14 de abril de 2015
diabo
por que deus em cima e o inferno em baixo? justo em baixo, onde ficam as raizes, as minhocas, os siris, as baleias, o magma, os movimentos tectônicos? é lá, em meio às minhocas nutridoras, que o diabo espeta seu tridente maléfico? por que não em cima, onde convulsionam os pernilongos?
sexta-feira, 10 de abril de 2015
não
não vou ir na não manifestação, porque o que se manifesta é aquilo que súbito se revela e não o que se arma metodicamente contra, aparelhando de medo o medo já semeado que, purificado em seu civismo, se auto-nomeia coragem. eu não vou ir no medo administrado.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
sexo
sexo basta amor não basta porque sexo é inteiro amor é metade. não bastar não basta e bastar basta e por isso sexo apraz e amor dói. mas o prazer que basta, de tanto bastar acaba não mais bastando porque ninguém quer tanto bastante. e a dor que não basta, de tanto não bastar se desgasta e então o sexo que basta reabastece a não bastância da dor.
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