quarta-feira, 15 de julho de 2015

coisas

quem diz "mas as coisas são assim! o que se há de fazer?' não entende que as coisas são assim por causa de quem diz que as coisas são assim. as coisas não são nem não são. as coisas, coitadas, nem estão interessadas nisso.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

etimologia

a etimologia é a memória amante da língua. são as palavras em estado de nascimento, próximas das coisas, menos marcadas pelas abstrações que as submetem a megalomanías ideológicas e pessoais. ainda concretas, elas, amorosamente, se conectam umas às outras e nos expandem para mais sensações e menos pensamentos.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

urgência

é urgente. urge que seja. tudo urge, urra, vocês não ouvem o chamado das coisas urgindo? elas estão falando: vão! e nós estamos olhando, ouvindo surdos e falando calados, mas parados. perdemos a urgência do chamado para a urgência dos compromissos. é urgente, ouçam!

sábado, 20 de junho de 2015

alegria

a alegria, como quando ouvimos a voz das coisas - a planta que viceja, o bolo que cresce, o ar que rumoreja - é quando o corpo diz mais do que as palavras. as pernas querem mexer, as mãos bater, o peito avançar, os olhos procurar e as palavras, tímidas diante de tanto sentido, só sabem ahs, ihs, ohs e uhs. alegria é quando as palavras emburrecem.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

glamour

glamour e gramática têm a mesma origem: gramaris, que significa encantamento, magia. isso porque quem domina as regras do sistema possui, certamente, conhecimentos mágicos. é claro. a magia é ter total maestria sobre as regras, de forma tal que elas pareçam não existir. glamuroso é um gramático, no final das contas. nada mesmo é tão charmoso quanto saber o que é uma oração reduzida de infinitivo e não parecer que se a sabe.

terça-feira, 9 de junho de 2015

írisz.

é hoje o lançamento do meu novo livro "írisz: as orquídeas". apareça, a partir das 19, quando falo sobre o livro, na livraria da vila da rua fradique coutinho. te espero lá!

terça-feira, 2 de junho de 2015

israel

pedem que gil e caetano não toquem em israel porque o governo de lá é repressivo e segregador. sim, é. e a música é ( ou pode ser) libertária e agregadora. em israel, há milhares de pessoas assim, sedentas de espaços e tempos para se expressar. por que tocar em um lugar significa endossar o governo? por que negar a quem pode, a possibilidade de manobrar entre as margens do sim e do não? só há duas opções para cada pergunta? por que a vida virou vestibular? por que israel, e de cambulhada tanta coisa, virou um bloco uno e deixou de ser também um povo? claro que é justo e necessário que eles se apresentem também na palestina. posso ser ingênua, mas maior ingenuidade, acho, é fingir que Israel não existe.