terça-feira, 15 de novembro de 2011

beça

coisas que adoro falar: essa rua "cai" na marginal; deu no que deu; vai de "fasta"; virabrequim; é nós; ele "pegou" pesado; à beça; falou e disse; fala aí; tá pensando o quê?; sou mais eu; cê vai se ver; sei lá; lá vou eu; que quer dizer?; biruta; sim; que hora é essa?; agorinha mesmo; os cara é tudo mentiroso; vale nada não; faz isso não; tô de mal e tô de bem; faz de assim; tá tirando uma; ó; vai ter troco; tô te falando; é só um pulo; pau na máquina; que preguiça; vai se catar; tô louco pra saber; nossa!; ah, vai!; jura?; cê tá sonhando que eu vou fazer isso!

domingo, 13 de novembro de 2011

bárbaro

o romance "esperando os bárbaros", de coetzee, é como um romance de kafka menos concentrado, menos absurdo e, até por isso, ainda mais absurdo. nele, vai-se percebendo que os bárbaros, mais do que o outro, são o mesmo. o bárbaro é aquele que teme a quem nomeia bárbaro; é, mais do que tudo, o temeroso; aquele que em tudo enxerga o temerário. o maior outro de todos é a morte e é ela que se teme no outro. mas ela vem de qualquer forma e de onde menos se espera e temê-la no outro é antecipá-la, é viver a morte antes que ela venha. o temor do bárbaro mata e morre.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

fflch

eu adoro a fflch. e não é só porque adoro quem tem a braveza e a bravura de estudar letras, história, geografia, ciências sociais e filosofia. não só porque adoro pessoas menos adaptadas ao rebanho. não é porque adoro cabeludos, maluquinhos e melancólicos/engraçados em geral (já que na fflch há muito mais do que isso). não é também porque gosto de quem sonha acordado. é porque a fflch, com tudo e apesar de tudo, é boa. produziu e produz dentre os melhores pensadores e pensamentos do país. ajudou e ajuda a mudar muita coisa ruim que acontece no brasil, nas áreas da cultura, da educação, da arte e da política. porque seus estudiosos ajudaram a repensar o racismo e os preconceitos do país. porque seus professores de literatura estão entre os melhores que já tive e que minha filha poderá ter tido. porque lá se discute, se discorda e se vive. porque, se ela é decadente, como disse um apresentador conhecido da televisão, ela não é fedidíssima. e se ela é decadente, não é porque lá há maconheiros. mas porque os poderes ainda não perceberam que só a cultura e o pensamento é que podem mudar o brasil.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

ato

esperar vem de olhar profundamente. quem espera olha tão fundo no futuro, que antecipa os acontecimentos. o esperador, na origem, é assim um visionário. que diferença do esperador atual, nas filas, nos e-mails, nos crediários, que espera, espera e nada antecipa. a condição da inação na atualidade é a espera. e pensar que ela já foi a propiciadora do ato.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

diferença

de como os sobrenomes estão entre as maiores diferenças entre a burocracia e a vida: aguiar é que habita as águas; barbosa é um lugar onde há muitas árvores com barba de bode; carvalho é uma árvore; castanheiro também, pereira e amoreira também; delfim é um peixe; eustáquio é carregado de espigas; fagundes é alegre; garcia é gracioso;haus é casa; inácio é ardente; jasper é tesouro; koch é cabeça; lima é uma fruta; macedo é importante; nunes é um peixe; oliveira é uma árvore; prestes é disponível;quintana é casa de campo; rodrigues é famoso pela glória; sauer é mulher paciente; teixeira é um fio de luz; uchoa é lobo; ventura é sorte; weiss é sabedoria; xavier é formosa; zuquim é abobrinha.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

nada

originalmente, pena é o mesmo que punição. quem merecesse pagava uma pena, ou um preço que corresponderia à punição pela falta cometida. as coisas que valem a pena, dessa forma, valem a punição que elas implicaram. se pensarmos bem, portanto, só vale a pena na vida o que não vale pena alguma, pois aquilo que implica em pena não vale nada.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

a

ele é a pessoa, porque ele não é "a" pessoa. ele não sabe tanto. ele fala a língua dele. ele está à minha frente. está atrás de mim. ele faz piadas bobas. ele pensa muito nos passarinhos.